Problema com banco

Juros abusivos, tarifas e seguros embutidos: quando vale revisar o contrato com o banco

A parcela cabia, mas a dívida não para de crescer? Antes de 'entrar com revisional', entenda o que dá para discutir.

Revisado em outubro de 2026 · leitura de 5 minutos

Juros alto não é, sozinho, ilegal. Banco pode cobrar acima de 12% ao ano, e o cartão de crédito tem taxas que assustam qualquer um. O que a lei proíbe é o abuso: juros muito acima do que o mercado cobra na mesma modalidade, tarifas por serviços que não existem, seguros empurrados na assinatura.

Revisar contrato é um instrumento sério, que ajuda muita gente e decepciona quem entrou sem base. Este guia é para você saber a diferença antes de decidir.

Seus direitos

O que a lei garante

  • Juros comparados com a média do mercado

    O STJ usa a taxa média divulgada pelo Banco Central para cada modalidade (cartão, cheque especial, empréstimo pessoal, financiamento) como referência. Juros muito acima dessa média, sem justificativa, podem ser reduzidos.

  • Tetos que já existem

    Cheque especial tem limite de 8% ao mês fixado pelo Banco Central desde 2020. No rotativo do cartão, desde 2024 os juros e encargos não podem passar de 100% do valor original da dívida.

  • Tarifas e seguros que não deveriam estar lá

    Seguro prestamista embutido sem opção de recusa é venda casada. Tarifas de abertura de crédito e de emissão de boleto estão proibidas há anos. O que foi cobrado indevidamente deve ser devolvido.

  • Direito ao contrato e ao custo total

    O banco deve entregar cópia do contrato e informar o Custo Efetivo Total (CET), que soma juros, tarifas e seguros. Sem isso, você não tem como conferir nada.

  • Portabilidade

    Você pode levar a dívida para outro banco que ofereça juros menores. O banco atual não pode impedir nem cobrar por isso.

O que fazer agora

Passo a passo

  1. 1

    Peça o contrato e a planilha

    No SAC, solicite a cópia do contrato, a planilha de evolução da dívida e o CET. Anote o protocolo. O banco tem obrigação de fornecer.

  2. 2

    Compare com o Banco Central

    No site do Banco Central há a taxa média de cada modalidade por instituição. Compare a taxa do seu contrato com a média do mês em que você contratou.

  3. 3

    Identifique o que não pediu

    Seguro, título de capitalização, tarifa de cadastro repetida, pacote de serviços: marque na fatura ou no contrato tudo o que não foi escolha sua.

  4. 4

    Reclame antes de processar

    SAC, depois Consumidor.gov.br e Banco Central. Muitos bancos estornam tarifas e cancelam seguros nessa fase.

  5. 5

    Avalie a revisional com números

    Com o contrato e a comparação em mãos, dá para calcular se a diferença compensa o processo. É essa conta que eu faço antes de recomendar qualquer ação.

O que guardar

Checklist de provas

  • Contrato completo e CET informado
  • Planilha de evolução da dívida ou extrato detalhado
  • Faturas e extratos do período
  • Comprovante das tarifas e seguros cobrados
  • Taxa média do Banco Central da modalidade no mês da contratação (print)
  • Protocolos de reclamação
  • Propostas de renegociação recebidas

Quando procurar um advogado

Sinais de que o caso merece análise

  • A taxa do contrato está muito acima da média do Banco Central na mesma modalidade.
  • Há seguro ou produto embutido que você não escolheu.
  • O banco não entrega o contrato ou a planilha.
  • A dívida do rotativo passou do dobro do valor original.
  • Você quer saber, com números, se a revisional vale a pena.
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Perguntas frequentes

O que mais perguntam

Fontes

Para conferir

Este guia é informativo e não substitui a análise do seu caso. Regras e decisões mudam; a data de revisão está no topo da página.

Conte o que aconteceu. Eu digo se vale a pena seguir.

Sem compromisso e sem promessa de valor. Você envia a situação, eu analiso os documentos e explico os caminhos possíveis, inclusive quando o melhor é não processar.