Problema com banco

Dívidas que não cabem no salário: como funciona a repactuação pela Lei do Superendividamento

O salário entra e já some? Existe um caminho legal para renegociar tudo de uma vez, e ele não é 'limpa nome'.

Revisado em outubro de 2026 · leitura de 5 minutos

Começa com um cartão para cobrir o mês. Depois o cheque especial, um empréstimo para pagar o cartão, outro para pagar o empréstimo. Quando se percebe, a renda inteira vai para juros, as ligações de cobrança não param e a vergonha impede de pedir ajuda.

Isso não é falta de caráter. É uma situação que a lei reconhece e para a qual criou um procedimento próprio. Ele não apaga dívidas, mas obriga todos os credores a sentarem na mesma mesa, com um plano que respeite o mínimo que você precisa para viver.

Seus direitos

O que a lei garante

  • O que a lei chama de superendividamento

    É a impossibilidade de pagar o conjunto das dívidas de consumo (cartão, empréstimo, cheque especial, carnê, contas) sem comprometer o mínimo existencial, desde que você as tenha contraído de boa-fé. Dívidas de produtos de luxo ou feitas com intenção de não pagar ficam de fora.

  • Audiência com todos os credores

    Você pode pedir ao juiz uma audiência de conciliação com todos os credores ao mesmo tempo, apresentando um plano de pagamento de até 5 anos. Procons e núcleos de conciliação dos tribunais também fazem essa etapa.

  • Credor que não aparece perde

    O credor que falta à audiência sem justificativa tem a cobrança da dívida suspensa e os juros de mora interrompidos até o fim do processo.

  • Plano judicial se não houver acordo

    Se a conciliação falhar, o juiz pode impor um plano compulsório, com revisão dos contratos e parcelamento, preservando o mínimo existencial.

  • Proteção contra crédito irresponsável

    A mesma lei proíbe o assédio para contratar crédito ('sem consulta ao SPC', 'aprovado na hora'), exige informar o custo total e responsabiliza o banco que concede empréstimo sem avaliar a capacidade de pagamento.

O que fazer agora

Passo a passo

  1. 1

    Levante todas as dívidas

    No Registrato do Banco Central (gratuito, com conta gov.br) você vê todos os empréstimos e financiamentos no seu nome. Complete com faturas de cartão, carnês e contas atrasadas. Anote credor, valor e parcela de cada uma.

  2. 2

    Calcule o que sobra para viver

    Renda líquida menos aluguel, alimentação, transporte, remédios, escola. Esse é o seu mínimo existencial. O plano de pagamento precisa caber no que sobra depois dele.

  3. 3

    Pare de rolar a dívida

    Não contrate crédito novo para pagar o antigo, principalmente rotativo do cartão e cheque especial. Se houver apostas envolvidas, procure ajuda para isso também.

  4. 4

    Tente a conciliação coletiva

    Procure o Procon ou o núcleo de superendividamento do tribunal da sua cidade. Com o mapa das dívidas, eles convocam os credores. Se a renda for baixa, a Defensoria Pública também atende.

  5. 5

    Se não resolver, o caminho judicial

    Com os documentos reunidos, a ação de repactuação é proposta e o juiz marca a audiência com todos os credores. É aqui que um advogado faz diferença no plano apresentado.

  6. 6

    Fuja das promessas

    'Limpamos seu nome em 7 dias', 'quitamos sua dívida por 10%': são golpes ou cobram caro por algo que a lei já garante. Ninguém pode apagar dívida legítima.

O que guardar

Checklist de provas

  • Relatório do Registrato (Banco Central) com todos os empréstimos
  • Faturas de cartão, extratos e carnês dos últimos meses
  • Contratos de empréstimo, se tiver
  • Comprovantes de renda (holerite, extrato do INSS, declaração)
  • Comprovantes dos gastos fixos (aluguel, contas, escola, remédios)
  • Mensagens e ligações de cobrança, principalmente as abusivas
  • Propostas de renegociação que já recebeu

Quando procurar um advogado

Sinais de que o caso merece análise

  • As parcelas somadas passam do que sobra depois do essencial.
  • Você tem três ou mais credores e não consegue negociar um por um.
  • Está pegando crédito novo para pagar o antigo.
  • A cobrança chegou ao trabalho, à família ou a ameaças.
  • Um banco concedeu empréstimo claramente acima da sua capacidade.
Enviar minha situação

Perguntas frequentes

O que mais perguntam

Fontes

Para conferir

Este guia é informativo e não substitui a análise do seu caso. Regras e decisões mudam; a data de revisão está no topo da página.

Conte o que aconteceu. Eu digo se vale a pena seguir.

Sem compromisso e sem promessa de valor. Você envia a situação, eu analiso os documentos e explico os caminhos possíveis, inclusive quando o melhor é não processar.